Avaliação de impacto do Programa de Estimulação Precoce da Associação Amor Pra Down na unidade de Balneário Camboriú, baseada na metodologia SROI, quantifica o valor social gerado e destaca a importância de parcerias para a sustentabilidade de iniciativas de inclusão.
Andrei Talison
Balneário Camboriú
O impacto positivo da estimulação precoce no desenvolvimento de crianças com T21 (síndrome de Down) vai além dos benefícios sociais e educacionais, gerando também um significativo retorno para a sociedade. Uma análise do Programa de Estimulação Precoce da Associação Amor Pra Down (AAPD), realizada pela pesquisadora Jéssica Fidelis Barboza, da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), aplicou a metodologia SROI (Social Return on Investment ou Retorno Social sobre o Investimento) para calcular o valor gerado por cada 1 real investido no projeto.
O estudo, referente aos anos de 2023 e 2024, revelou que o programa alcançou um índice SROI de 3,56:1. Isso significa que para cada R$1,00 investido, foram gerados R$3,56 em valor social. O valor total do impacto social gerado foi estimado em R$1.848.129,47, considerando os benefícios para as crianças, seus responsáveis, os profissionais do programa e as escolas envolvidas.
Investimento e Fontes de Recursos
Durante o período analisado, o investimento total no programa foi de R$542.161,51. Esse montante teve como principal fonte de financiamento o convênio com a entidade pública Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), uma instituição pública do Estado de Santa Catarina, vinculada à Secretaria de Estado da Educação (SED), responsável por promover, coordenar e executar ações voltadas à educação especial em todo o estado.
A Importância de Mensurar o Impacto Social
Segundo a pesquisadora, a metodologia SROI foi fundamental para traduzir em valores monetários os resultados sociais alcançados pelo programa. Essa abordagem oferece uma visão clara sobre os benefícios gerados e se constitui como uma ferramenta estratégica para a captação de novos investimentos e para a prestação de contas aos financiadores.
“A existência de metodologias que se aplicam ao terceiro setor, como a metodologia SROI, é muito importante, porque permite que possamos quantificar o valor monetário do impacto que é gerado na vida dos associados”, afirma Barboza (2025) no estudo. A pesquisa reforça que o valor gerado beneficia não apenas as crianças atendidas, mas se estende às suas famílias, aos profissionais que recebem capacitação e à comunidade escolar, que se torna mais preparada e inclusiva.
STAKEHOLDERS IDENTIFICADOS

Fonte: Barboza 2025
Dessa forma, o estudo não apenas valida a importância do trabalho realizado pela Associação Amor Pra Down, mas também fornece um argumento concreto para que novas parcerias, tanto públicas quanto privadas, sejam estabelecidas, garantindo a continuidade e a expansão de um programa que comprovadamente transforma vidas.
Acesse o estudo completo: https://drive.google.com/file/d/1rtqB3LPS_KpP_p2rV_Tr7nWhnoTxFqUd/view?usp=sharing
